‘Cultura do Cancelamento’ é eleito o termo que define 2019

A dificuldade de ouvir e a facilidade em julgar deu o tom da internet no ano. Relembre algumas personalidades canceladas

Por Alexandre de Melo

O termo Cancel Culture ou “Cultura do Cancelamento”  se refere ao boicote a um artista, personalidade ou evento que tenha dito ou feito algo considerado moralmente errado — ou politicamente incorreto — pelos padrões de determinado grupo. O Dicionário Macquarie elegeu  a expressão como a melhor representante do ano de 2019.

As eleições de termos e palavras dos ano podem parecer uma escolha que interessa apenas a pesquisadores de linguística, mas elas revelam muito do termômetro social do momento. Geralmente, essas eleições são realizadas por instituições que levam em conta a língua inglesa. Mesmo assim, as palavras e termos escolhidos têm realmente representado muito bem o ano de escolha.

A palavra fake news foi amplamente usada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na campanha eleitoral, e acabou se disseminando pelo mundo todo

Em 2018, o Dicionário Macquarie escolheu o termo “me too” (eu também), em alusão ao movimento contra o assédio sexual e agressão de mulheres. Já o dicionário da editora britânica Collins escolheu as palavras Brexit e fake news, em 2016 e 2017, respectivamente.

O “cancelamento” revela o humor da internet após a epidemia de notícias falsas e as campanhas de representatividade. Se você tem uma conta no Twitter certamente ficou por dentro de alguns destes cancelamentos.

No Brasil, Anitta é amada por milhares de seguidores e é considerada a rainha do pop brasileiro. No entanto, ela também teve um  período “cancelada” em 2019 depois de ter levado Nego do Borel ao palco de uma apresentação do Bloco das Poderosas. O cantor também estava “cancelado” porque fez comentários transfóbicos no Instagram sobre Luisa Marilac. Ou seja, uma cascata de cancelamentos…

Anitta e o amigo Nego do Borel

Já o youtuber sueco PewDiePie anunciou que iria doar dinheiro para a Liga Antidifamação, uma ONG  que combate o racismo contra os judeus. Só que a instituição já foi criticada antes por movimentos de esquerda e também pela ultradireita conservadora. Por conta disso, parte de seus seguidores decidiu cancelá-lo.

O caso de PewDiePie gerou o debate na internet sobre a eficácia ou não da cultura do cancelamento porque mesmo após o boicote, o youtuber segue com o segundo maior canal mundo em número de inscritos com mais de 101 milhões.

Outro youtuber, o brasileiro Spartakus falou em seu Twitter sobre a dificuldade de lidar com o ódio em torno do cancelamento

Se há duvidas sobre a finalidade do cancelamento, sobram evidências sobre os fatores que criaram a nova tendência. A polarização contribui para defesas de forma passional de princípios éticos, por exemplo. Desta forma, parece ser mais fácil “cancelar” do que tentar uma conversa ou ouvir o que o cancelado tem a dizer

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