8. Como usar o diálogo para combater as notícias falsas

Fake news florescem num ambiente de polarização. Tem como combater essa divisão social? É o que vamos discutir neste último módulo! No texto-base, a gente fala sobre sobre técnicas de diálogo e comunicação não-violenta. Aqui, abordamos algumas saídas perigosas: resolver judicialmente a questão das notícias falsas ajuda ou atrapalha? Neste texto, apresentamos dicas para dar aquele toque de boa para quem posta notícia falsa. No vídeo, Monja Coen fala dos benefícios da escuta atenta ao interlocutor. E descubra qual a melhor forma de discordar de alguém aqui.

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Caramba… foi muito bem
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Já discutimos os conceitos de desinformação e fake news, falamos sobre liberdade de expressão, aprendemos como pegar os mentirosos no pulo… E agora, o que falta fazer?

É hora de passar a mensagem adiante. Compartilhe e debate o que você aprendeu sobre combate à desinformação com outras pessoas. Ou seja, exercite o diálogo.

Diálogo… Mais uma das palavrinhas gastas do tipo “varinha mágica”: basta mencioná-la para o problema sumir, não é mesmo?

Definitivamente, não. É conversando que a gente se entende, mas conversa precisa de regras para ser bem-sucedida.

Diálogo como técnica?

Isso mesmo. Dialogar é conversar, e conversar para resolver conflitos exige preparo. Isso significa que diálogo se aprende.

Vamos exemplificar esse conceito com um exemplo. Você publica um textão nas redes sociais e alguém te xinga. O que você faz?

A maioria das pessoas opta por uma das duas alternativas a seguir. Ou se cala, abandonando a conversa, ou responde um tom acima, entrando de vez na briga.

Dá para entender as duas reações, mas nenhuma delas ajuda no debate. Entre a submissão e a agressividade, existe caminho possível?

Existe. E esse caminho é justamente o diálogo. Trata-se de um exercício de comunicação que tem como objetivo a empatia – ou seja, entender a situação pela qual o outro passa. Não significa concordar com a opinião do outro, mas compreender de onde o ponto de vista vem.

Primeiro passo: a escuta atenta

Para conseguir empatia, os estudiosos de comunicação não-violenta concordam que o ponto zero é não rotular o outro. Isso exige uma escuta atenta para descobrir as razões das pessoas – por mais que a opinião pareça absurda.

Não é nada fácil, mas existe uma pergunta que podemos nos fazer sempre que observarmos a tendência a estigmatizar alguém. A dica está no livro Conversas Cruciais, dos coaches Kerry Paterson, Joseph Greeny, Ron Mc-Millan e Al Switzler:

“Toda vez que se pegar rotulando uma pessoa, pare e pergunte: ‘por que alguém razoável, racional e decente faria o que essa pessoa está fazendo’?”

Segundo passo: a fala honesta e cuidadosa

Depois de ouvir, é hora de falar. E, no diálogo, a fala é firme e honesta, mas não ofensiva.

Seguimos buscando a empatia – desta vez, queremos que o interlocutor entenda como a gente se sente. Por isso, uma primeira providência é reconhecer na conversa que podemos não estar captando todos os lados do problema. Ou seja, que nossas opiniões são, por definição, incompletas e provisórias.

Um segundo passo é encontrar o tom certo. Você pode substituir expressões agressivas ou “lacradoras” por outras que convidem para a conversa: “eis como eu vejo a situação”; “me parece que as coisas podem ser assim”; “entendo dessa forma” e assim por diante.

Todas as opiniões, por mais duras que sejam, podem ser expressas de uma forma menos violenta. Mesmo que sejam para mostrar que você foi agredido – aliás, é importante sempre sinalizar a agressão! Quando isso é feito de maneira cuidadosa, o agressor pode perceber o equívoco e retomar a confiança na conversa.

O psicólogo Marshall Rosemberg traz um exemplo interessante em seu clássico “Comunicação Não-Violenta”. Um filho ironiza o pai, que decide não responder na mesma moeda. Disposto a manter o diálogo mas ainda assim dizer com clareza e honestidade o que está sentindo, o pai se dirige ao filho:

“Quando ouço você dizer coisas no tom que acabou de usar, é difícil me controlar. Você poderia me ajudar com isso.”

Outras providências úteis

Em alguns casos, é importante ajudar seu interlocutor a pensar com clareza. Voltando ao exemplo do textão e do amigo que te xingou, você pode, primeiro, sinalizar a ofensa: “Olá. Vejo que você me ofendeu, não acho que seja um bom jeito de debater um assunto”.

Em seguida, ofereça a chance de ele apresentar ideias: “Qual parte do meu texto especificamente você não gostou? Possui alguma sugestão para o problema?” Em geral, frases como essa são suficientes para fazer a pessoa baixar as armas e começar a dialogar.

Evidentemente que tudo isso é cansativo. Por isso, é uma decisão sua tentar ou não estabelecer um diálogo. E, às vezes, suas sugestões para a conversa podem falhar. Cabe a você saber o quanto insistir e quando parar. Se você quiser encerrar o papo, vale sinalizar: “Olha, prefiro não continuar conversando nesse tom. Nos falamos mais tarde”.

E se a gente não concordar?

Muita gente pensa que o objetivo do diálogo é fazer duas pessoas entrarem em acordo em relação a alguma coisa. Quando isso acontece, é muito bom. Mas essa não é a finalidade da técnica. Um diálogo de sucesso pode terminar com duas pessoas “concordando em discordar”.

Mas ambas se ouviram e puderam se expressar com clareza. Conseguiram compreender uma questão com maior profundidade, o que é sempre bom. Podem decidir falar mais sobre o assunto futuramente, ou não. Não importa: houve escuta e fala, houve comunicação e não gritaria. Aconteceu o diálogo.

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“A primeira vítima, na guerra, é a verdade”. Essa frase costuma ser atribuída ao senador norte-americano Hiram Johnson… mas, na verdade, não se tem certeza absoluta sobre sua autoria. Talvez a verdade seja torpedeada toda vez que alguém faz essa citação sem perceber sua imprecisão. Na guerra da informação, a verdade não é só a primeira vítima: é o campo de batalha.

Os danos que as fake news causam são bastante claros. Mas no desespero para tentar resolver esse problema, surgem propostas bastante polêmicas, que podem acabar criando outros efeitos negativos ainda mais prejudiciais. Para combater a doença da desinformação, não adianta tomar um veneno letal que acabe também com as fontes de informação confiáveis.

Mas é justamente isso que pode acontecer. Algumas dessas medidas são bem intencionadas, mas isso não evita que causem danos colaterais bastante sérios. Outras vão aproveitar a onda de medo com as fake news para re-empacotar propostas antigas e bastante problemáticas.

Em ambos os casos, é preciso ficar de olho para não deixar uma preocupação legítima nos transforme em massa de manobra para interesses alheios. Quem já tentou no passado silenciar os críticos pode tentar usar as fake news como desculpa para proibir a divulgação de informação incômoda, por exemplo.

Vale-mordaça: aproveitando a histeria contra fake news para aprovar leis contra críticos

A estratégia nem é original: no passado, muitos já usaram a desculpa da preocupação com as ideias que estavam circulando na sociedade para criar leis que controlassem o que as pessoas podem fazer ou falar. O advogado Luís Francisco Carvalho Filho lembra que sempre que leis são criadas para defender a população de ameaças como ideias subversivas ou insultos, elas acabam fugindo do controle e abrem a porta para “espionagem, o confisco de espaços de vida íntima e privada, as perdas de liberdade”.

Essa onda já começou ao redor do mundo. O presidente da França tem defendido uma nova lei para combater notícias falsas que pode eliminar postagens, contas e até bloquear sites inteiros.

Jornalistas franceses têm criticado essa proposta porque consideram que, sob pressão, juízes podem acabar comentendo erros, removendo denúncias que se mostrem verdadeiras. Por vezes, a investigação jornalística começa a partir de rumores espalhados por aí, que só vão ser publicados após rigorosa apuração e verificação. Definir o que pode ser publicado e o que deve ser removido é um poder muito grande, e injustiças podem acontecer se essa responsabilidade acabar concentrada na mão de poucas pessoas.

A Malásia aprovou recentemente uma lei semelhante e ainda mais rígida, incluindo multas de mais de 100 mil dólares. Até mesmo servidores de internet e usuários de redes sociais que repassam informações incorretas sem saber podem ser condenados. Uma pessoa já foi presa ao criticar a demora de atendimento da polícia com dados imprecisos.

Essa é a primeira lei anti-fake news do mundo, mas foi aprovada em circunstâncias bastante suspeitas. O primeiro-ministro da Malásia se aproximava das eleições, mas enfrentava denúncias de desvios de bilhões de dólares. Para tentar abafar o escândalo, políticos e escritores foram presos por criticar o governo, que também censurou ou fechou veículos de comunicação que tratavam desse tema.

O vice-ministro das comunicações e multimídia já definiu que qualquer informação sobre esse escândalo que não tivesse sido comprovada pelo governo seria considerada fake news, e portanto levaria a punições. Ou seja, só a versão oficial sobre o caso poderia ser difundida. E assim o medo das fake news se transforma na censura da crítica política.

Tropeços brasileiros no combate às notícias falsas

Aqui no Brasil, delegados já tem defendido mudanças na lei, e o exército foi consultado para monitorar e combater fake news.

No final de 2017, durante a votação da reforma política o Congresso chegou a aprovar uma emenda que poderia suspender publicações que tratem de “discurso de ódio, disseminação de informações falsas ou ofensa em desfavor de partido ou candidato”. Essa proposta deixa bastante claro o risco de surfar nessa onda de medo contra as fake news: ideias e informações diferentes, muitas delas bem fundamentadas, poderiam ser removidas por ser consideradas falsas ou ofensivas.

Devido às críticas a essa proposta, que parecia abrir a porta para a censura política na internet, o próprio autor dessa emenda sugeriu que ela não entrasse em vigor, e o trecho foi vetado pelo presidente Temer.

Preocupado com a eleição em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral tem considerado tomar medidas para impedir a proliferação de notícias falsas pela internet. Mas essa confusão acabou atrapalhando o próprio presidente do TSE, que citou uma notícia falsa sobre um suposto “estudo da USP” sobre a ameaça de sites fraudulentos. Ou seja, usou uma notícia falsa sobre notícias falsas para tentar combater notícias falsas.

Pablo Ortellado, pesquisador da USP, alerta para o risco que corremos se o Estado tiver “o poder de definir qual notícia é legítima e qual não é e poder censurar ou perseguir o emissor”. Para Ortellado, sem critérios muito claros as punições podem ser abusivas e arbitrárias.

Na pressa para evitar que as notícias falsas atrapalhem as eleições, por exemplo, o eleitor pode ficar sem informação crítica. Imagine escolher seus candidatos sem acesso a notícias que contestem promessas mirabolantes ou passados suspeitos. Não dá para tomar essa decisão baseada só em propaganda eleitoral. Pior que mergulhar entre notícias falsas e outras bem fundamentadas é morrer de sede, sem informação nenhuma.

Medos públicos em lugares privados

Não é só o Estado que tenta influenciar a reprodução de informação duvidosa. As próprias plataformas das redes sociais e sites de pesquisa também estão preocupados e tentam soluções para minimizar esse problema.

Mas essas alterações técnicas nos algoritmos também envolvem riscos, porque podem ter efeitos inesperados. Quando o Facebook diminuiu a importância dos links (e com isso, a frequência com que eram vistos), sites jornalísticos tradicionais reclamaram por ter sua visibilidade mais prejudicada do que as páginas de notícias falsas.

E, ao contrário das leis, quem define as regras nos espaços privados das redes sociais não são representantes públicos eleitos, mas seus programadores, que tentam equilibrar benefícios e direitos do público com seus interesses privados. Resta aos usuários desses sites ficarem alertas para as alterações, cobrar transparência sobre as mudanças e reclamar, caso considerem que os seus efeitos são mais prejudiciais que benéficos.

Fontes / Para saber mais

BEECH, Hannah. “As Malaysia moves to ban ‘fake news,’ worries about who decides the truth”. The New York Times, 2/4/2018. Disponível em: https://www.nytimes.com/2018/04/02/world/asia/malaysia-fake-news-law.html

BETIM, Felipe. “Na última hora, Congresso abre caminho à censura nas redes nas eleições 2018”. El País, 6/10/2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/05/politica/1507238763_446744.html

BRANDÃO, Marcelo. “Temer sanciona fundo eleitoral mas veta censura na internet e limite de doação”. Agência Brasil/EBC, 6/10/2017. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-10/temer-sanciona-fundo-eleitoral-mas-veta-censura-na-internet-e-limite-de

CARVALHO FILHO, Luís Francisco. “Guerra dos mundos”. Folha de S. Paulo, 18/11/2017. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luisfranciscocarvalhofilho/2017/11/1936360-guerra-dos-mundos.shtml

ERICKSON, Amanda. “The new face of fake news in Malaysia: A Danish visitor who made a YouTube video”. The Washington Post, 1/5/2018. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/news/worldviews/wp/2018/05/01/the-new-face-of-fake-news-in-malaysia-a-danish-visitor-who-made-a-youtube-video/?utm_term=.40ea909cb347

GOBRY, Pascal-Emmanuel. “France’s ‘Fake News’ Law Won’t Work”. Bloomberg, 14/2/2018. Disponível em: https://www.bloomberg.com/view/articles/2018-02-14/fake-news-france-s-proposed-law-won-t-work

HERN, Alex. “‘Downright Orwellian’: journalists decry Facebook experiment’s impact on democracy”. The Guardian, 25/10/2017. Disponível em: https://www.theguardian.com/technology/2017/oct/25/facebook-orwellian-journalists-democracy-guatemala-slovakia

ORTELLADO, Pablo. “Três desafios para regular a circulação de notícias falsas”. Folha de S. Paulo, 16/01/2018. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pablo-ortellado/2018/01/1950799-tres-desafios-para-regular-a-circulacao-de-noticias-falsas.shtml

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E aí você está no WhatsApp ou na rede social e ela aparece. A notícia falsa que você identifica na hora, usando o arsenal de estratégias que você aprendeu neste curso. E aí, a dúvida: o que você fala para a pessoa que publicou a mentira?

Judith Donath, ex-diretora de redes sociais do MIT Media Lab – uma prestigiosa instituição de ensino americana – escreveu recentemente um artigo lançando uma primeira provocação:

Será que você precisa dizer alguma coisa?

Ela argumenta que boa parte das pessoas que publicam notícias falsas o fazem porque concordam com as notícias (eis aí outra coisa que você já aprendeu aqui). Para essa turma que se importa mais com emoção do que com razão, ser exposto como propagador de notícias falsas pouco adianta.

Isso porque esse tipo de internauta geralmente posta coisas que sirvam como – nas palavras de Judith – “marcador de identidade” de um determinado grupo. Compartilhar qualquer história que agrade o grupo, seja a notícia verdadeira ou falsa, fortalece o laço entre seus integrantes.

E muitas vezes a crença de que a notícia é verdadeira se torna uma questão não de razão, mas de fé.

Se você sinalizar a um interlocutor desse tipo que a notícia é falsa, várias outras pessoas do grupo virão te atacar. Nesse caso, a pesquisadora aconselha seguir um ditado que hoje já é clássico: “não alimente os trolls”. Se você acha que a postagem tem mais a ver com um reforço de identidade do que com a vontade genuína de compartilhar informação, não amplifique o debate. Por mais lamentável que seja, há pessoas que não estão dispostas a se deixar convencer e a mudar de atitude.

Agora, se você achar que vale a pena o diálogo – felizmente há pessoas dispostas a mudar! –, vale a pena seguir alguns passos básicos na hora de dar um toque elegante:

• Mensagem privada é melhor. Ninguém gosta de ser exposto publicamente. Isso segue sendo verdade no caso do compartilhamento de uma mentira. Um alô em pvt é a melhor coisa para promover uma mudança de atitude.

• Adote um tom educado. Evite a atitude professoral e taxativa: “Me parece que essa notícia é falsa” é uma possibilidade. Outra é recorrer aos nossos memes — que mantêm um tom polido, mas são também provocadores.

• Busque a empatia do interlocutor. Você pode fazer isso mostrando as descobertas que você fez a partir da análise das características da notícias – e, eventualmente, indicando as dúvidas com que você mesmo ficou: “Percebi que esse texto não tem autoria”; “Parece novidade, mas se a gente for ver a data, está escrito que é do ano passado”; “Você não achou estranho que não saiu nada nos veículos tradicionais?”.

• Sugira uma correção. Mostre que admitir o equívoco não é nenhum problema. Pelo contrário, é uma lição de responsabilidade num momento em que verdade e mentira estão cada vez mais difíceis de distinguir.

• Dê o exemplo. Promova uma cultura que reverencia a verdade. Cheque suas fontes antes de postar qualquer coisa.

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Em tempos de tanta radicalização, como manter a calma, na hora de falar (e ouvir)? A Monja Coen explica como não perder a cabeça na hora de conversar nas redes sociais com quem tem posições diferentes da sua. Ela explica a importância do respeito e da tolerância para podermos viver juntos sem tantas agressões sem sentido.

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Em 2008, o engenheiro de computação inglês Paul Graham lançou o ensaio “How to Disagree” – em português, “Como Discordar”. O texto se tornou um clássico pelas dicas sobre argumentação eficaz.

Analisando conteúdo e forma – ou seja, o que se diz e como se diz – Graham estabelece uma hierarquia, que começa pelas estratégias mais pobres e avança para as que mais dão resultado.

Sua classificação vai ser nossa base neste texto. São dicas que podem servir tanto para dar um toque em quem compartilha notícias falsas quanto para aumentar o nível de civilidade de um debate.

Estratégias ineficazes

Graham diz que a pior coisa que se pode fazer – óbvio – é ofender o interlocutor. E aqui não estamos falando apenas de xingamentos clássicos, mas de neologismos como “petralha”, “coxinha”, “reaça”, “feminazi” etc.

Reduzir o interlocutor a uma única característica – e, no caso, negativa – não ajuda em nada a conquistar sua empatia. Também não apresenta qualquer argumento que contraponha o que foi dito.

Outra tática inadequada é o ataque pessoal. Também chamado de ad hominem, é uma ação que desvaloriza o argumentador, mas não diz nada sobre suas ideias. E debater ideias é justamente o que você precisa fazer quando quer dar um toque elegante em alguém.

Estratégias intermediárias

Uma estratégia ligeiramente superior é denunciar o tom do interlocutor. Reclamar da agressividade de quem debate pode ser interessante, mas novamente falha no ponto principal: focar a ideia que precisa ser debatida.

Uma outra ação de eficácia intermediária é a contra-argumentação. Significa abordar o problema oferecendo uma solução diferente da do interlocutor. Se a proposta estiver calcada em evidências, melhor. Mas, ainda assim, a ideia original pode continuar intacta. E os dois debatedores podem terminar a discussão falando de coisas completamente diferentes…

Estratégias avançadas

Para Graham, a refutação é a forma de discordância mais eficaz. Refutar significa mostrar porque as ideias de seu interlocutor são inadequadas – de preferência, com exemplos concretos. Você tem duas escolhas básicas. Uma opção é detonar tudo o que a outra pessoa fala, incluindo problemas de linguagem, erros de datas e números etc. Graham afirma que agir assim serve mais para desacreditar o oponente do que suas ideias.

Por isso, ele sugere ficar com outra alternativa: refutar o ponto central do discurso. Uma refutação efetiva, na opinião do autor, seria mais ou menos assim:

“O ponto principal do autor é x. Mas o ponto x está equivocado pelas seguintes razões.”

Lembre-se: foco na ideia, não no argumentador. E na ideia principal, não nos equívocos formais ou auxiliares.

Para saber mais, leia o texto de Paul Graham — ou confira um podcast sobre o tema aqui (ambos em inglês).

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